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#16806/07/202610 min de leitura

O fim do WhatsApp de graça pra responder cliente

Segunda-feira. E dessa vez ela dói um pouco mais. Ontem o Brasil caiu e a Copa acabou antes da hora (de novo). A parte mais cruel nem é o resultado. É que hoje de manhã você vai abrir o Gerenciador, responder cliente no WhatsApp, olhar campanha, como se ontem não tivesse acontecido nada.

Mas pra te consolar, eu trouxe algumas notícias que vão movimentar a sua semana. Spoiler: a Meta soltou uma bomba que mexe direto no bolso de quem vive de disparo no WhatsApp.

Mas antes, aquele pedido de sempre: abre a seção de feedback do BoleTIM e deixa o link salvo aí. No final me conta se a curadoria dessa semana foi útil pra você. Abriu? Bora pra edição.

Pensamento do dia

"Nunca escreva um anúncio que você não gostaria que sua família lesse. Você não mentiria para a sua própria esposa. Então não minta para a minha." David Ogilvy, Confissões de um Publicitário.
WhatsApp

Responder cliente vai custar dinheiro (e a Black Friday vem aí)

Cobrança no WhatsApp

A era do "responde de graça" tá acabando. A partir de outubro, cada resposta não-template tem preço.

Te confesso: quando li isso na quarta, minha primeira reação foi pensar em toda a galera que vive de disparo e ainda não fez essa conta.

No dia 1º de julho a Meta publicou no portal de desenvolvedores uma das mudanças mais pesadas pra quem usa o WhatsApp como canal de venda. Resumo numa frase: responder cliente no WhatsApp vai passar a ter custo.

Como é hoje? O cliente te manda mensagem, abre uma janela de 24 horas, e você responde à vontade (texto, áudio, foto, documento) sem pagar nada. Esse modelo era gratuito desde novembro de 2024. Isso acaba.

Anota as três datas: 1) 1º de agosto: começa a cobrança do Meta Business Agent (a IA própria da Meta), por consumo de tokens. 2) 1º de outubro (sim, no mês da Black Friday): começa a cobrança por toda mensagem de serviço, qualquer resposta enviada por humano ou IA de terceiros dentro da janela de 24h. 3) 1º de outubro: mensagens de utilidade dentro da janela (tipo confirmação de pedido) também passam a ser cobradas.

O preço da resposta não-template? R$ 0,035 por mensagem, o mesmo valor das mensagens de utilidade hoje. Não importa o tamanho do texto nem se quem respondeu foi robô ou gente.

Tem duas exceções que você precisa gravar: resposta gerada por agente da plataforma Meta Business Agents é cobrada por token, não por mensagem (US$ 2 por 1 milhão de tokens); e conversa iniciada por anúncio Click to WhatsApp tem janela gratuita de 72 horas.

Percebeu o jogo? A Meta tá empurrando todo mundo pra dentro da IA dela. Na simulação da própria empresa, 10 mil mensagens de alta complexidade custariam de US$ 400 a US$ 500 no Business Agent, contra US$ 968 usando IA de terceiros. Não é coincidência.

E o que isso tem a ver com a Black Friday? Tudo. A Black Friday desse ano vai ser a primeira rodando sob esse custo novo. Toda operação de disparo em massa, recuperação de carrinho, cobrança de Pix, confirmação de pedido via API vai sentir. Se você calcula o ROI da sua automação sem contar o custo por resposta, esse número muda a partir de outubro.

O que fazer sem depender tanto de disparo: encurte as jornadas (menos idas e vindas, mesmo resultado; atendimento enxuto dilui melhor o custo novo); priorize o Click to WhatsApp (a janela grátis de 72h continua valendo, CTWA fica ainda mais valioso que disparo frio); recalcule seu custo por conversão já com o R$ 0,035 dentro; reprecifique agora (se você cobra do cliente por atendimento no WhatsApp, essa variável entra antes de fechar contrato novo).

Quem já manda evento pela CAPI e mede de verdade vai sorrir em outubro. Quem trata WhatsApp como canal de graça vai levar susto.

Google

Você aceitou os novos termos do Ads sem ler (e eles mudaram tudo sobre IA)

Google Ads

Em vigor desde 1º de julho. Você não clicou em nada, mas já tá valendo.

Lembra do e-mail sem graça que o Google mandou dia 1º de junho? Pois é. Pela primeira vez em oito anos o Google reescreveu os Termos de Serviço da plataforma de anúncios, e entrou em vigor dia 1º de julho. Sem você clicar em "aceito". Se roda Google Ads, tá valendo pra você, tendo lido ou não.

O que mudou: o Google ganhou autoridade mais ampla pra usar IA e automação pra gerar, selecionar e otimizar elementos de campanha em seu nome; o que você digita nas ferramentas conversacionais (tipo Gemini), as URLs que fornece e o conteúdo do site que deixa o Google rastrear podem moldar suas campanhas; em troca, a responsabilidade continua sua: você tem que ter os direitos do que fornece e obrigação contínua de revisar, aprovar ou remover o que a IA gerar.

Traduzindo o incômodo: se um headline auto-gerado por Performance Max ou AI Max fizer promessa falsa, pisar em marca registrada ou ferir política, você não aponta pro algoritmo. A conta é sua.

E tem um número que me deixou de queixo caído: no Q4 de 2025 a IA do Google gerou sozinha cerca de 70 milhões de assets. Quando a máquina constrói tanto do seu anúncio a partir dos seus feeds e páginas, saber quem responde pelo quê deixa de ser detalhe jurídico e vira risco operacional.

E teve gente do mercado reclamando alto. Anthony Higman, fundador da AdSQUIRE, argumentou que os novos termos corroem dois pilares que ele considera centrais no Google Ads: relevância e controle. Detalhe pro Brasil: os termos deixam claro que a Google BR é a entidade autorizada a operar e monetizar comercialmente o inventário de anúncios por aqui.

O que fazer agora: entra na configuração de inclusão e exclusão de URL das suas campanhas. Exclui o óbvio: política de privacidade, termos, carreiras, suporte, post velho, página com oferta expirada. Não é pra esconder conteúdo útil, é pra reduzir a chance da automação promover coisa que nunca foi pra ser vista pelo cliente.

Mais um modo automático entrando no Ads. Quanto mais a plataforma decide sozinha, mais o seu trabalho vira saber onde apertar o freio.

Meta

Lançou um app de jogos feito com IA (e não avisou ninguém de propósito)

App Pocket da Meta

Pocket deixa qualquer um criar minijogo digitando um prompt. Parece bobagem, mas é sinal de pra onde ela tá jogando.

Essa aqui passou quase despercebida, e é justamente aí que mora o interesse.

Na quarta (2 de julho), a Meta colocou no ar, sem anúncio nenhum, um app chamado Pocket: uma plataforma que deixa qualquer pessoa gerar pequenos apps e jogos interativos por prompt de IA. Tem até um feed rolável pra você jogar o que os outros criaram.

O app nasceu da compra do time do Gizmo, plataforma de "vibe-coded games" que a Meta adquiriu no começo do ano. Como não teve anúncio oficial, é provável que Pocket ainda esteja em fase de experimentação. Segundo a Appfigures, estreou dia 29 de junho na App Store e Google Play.

O Pocket não é peça solta. É mais um capítulo do mesmo movimento: já teve o Meta AI com imagem, o Vibes com vídeo de IA, e o Edits ganhando assistente de IA e versão desktop; agora entra conteúdo interativo por prompt (o Gizmo original tinha 635 mil instalações e 98% de sentimento positivo); a leitura é uma só: a Meta quer que criar qualquer coisa (imagem, vídeo, jogo e, mais cedo ou mais tarde, anúncio) vire digitar uma frase.

E aí, o que você acha? Seria mais um investimento fracassado como o Metaverso ou realmente tem um futuro promissor?

Instagram

Shopee e Meta trouxeram afiliados pro Instagram no Brasil

Reels Shopee

Criador conecta a conta de afiliado, divulga no Feed e no Reels, e ganha comissão por venda. O Brasil foi um dos primeiros fora dos EUA.

Essa é daquelas que mistura orgânico e mídia paga de um jeito que vale acompanhar de perto.

A Shopee e a Meta anunciaram o Programa de Afiliados para o Instagram no Brasil (além do Sudeste Asiático e Taiwan). Na prática: o criador conecta a conta de afiliado da Shopee ao Instagram, divulga produto em post e Reels, e recebe comissão pelas vendas feitas no marketplace através do conteúdo dele. Isso coloca a Shopee como uma das primeiras parceiras de afiliados da Meta pro Instagram fora dos Estados Unidos.

Como funciona: o afiliado adiciona vários produtos da Shopee numa única publicação, identificados por ícone de compras e etiqueta "elegível para comissão"; a jornada inteira fica dentro da rede, da descoberta no conteúdo até a compra; o programa é baseado no de afiliados do Facebook (de 2025), que até março tinha mais de 5 milhões de criadores conectados no mundo.

E aqui o pulo do gato pra quem compra mídia: Shopee e Meta já estão testando um formato de anúncio pra afiliados. A ideia é deixar vendedor e marca impulsionarem, pela plataforma de anúncios da Meta, o conteúdo de criadores que já performam bem. Começou no Sudeste Asiático, com expansão prevista pros próximos meses.

Se você atende marca que vende em marketplace, o afiliado deixa de ser só orgânico e vira insumo de campanha. Se atende criador, abre fonte de receita rodando dentro do próprio Feed.

Ainda tá cedo no Brasil, mas esse formato de anúncio de afiliado é o tipo de coisa que a gente olha hoje pra não ser pego de surpresa depois.

Vale a pena testar

O Canva agora cria, publica e otimiza seu anúncio no Meta sem você sair de lá

Canva Grow 2.0

Canva Grow 2.0 junta criação com IA, publicação no Meta, TikTok e LinkedIn, e relatório de performance num fluxo só.

Enquanto a briga de chatbot rola solta, o movimento que mais interessa a quem compra mídia veio do Canva. No Cannes Lions (25 de junho), ele lançou o Canva Grow 2.0, que a própria empresa chama do lançamento mais importante pra times de marketing até hoje. A promessa: criar, publicar e aprender com anúncio sem sair do Canva.

O problema que ele ataca é bem real, e aposto que você vive isso: o criativo mora numa ferramenta, a publicação em outra, e o dado de performance num terceiro lugar. Aí a campanha fica lenta e o aprendizado nunca volta pro próximo criativo. Ainda mais num cenário onde anúncio queima em 2 a 4 semanas e o Meta pede 50 variações por vez.

Como o Grow 2.0 fecha o ciclo: criação com IA (você joga o link do seu site e o Canva puxa info do negócio, visual de produto, cores e sinais de público pra gerar anúncio estático e de vídeo em segundos, já mirando conversão); publicação unificada (empurra o anúncio direto pro Meta, TikTok e LinkedIn, sem exportar arquivo nem logar em vários gerenciadores, um painel mostra tudo rodando nas três plataformas); aprendizado (relatório das três plataformas num lugar só, com IA apontando o criativo campeão e sugerindo o próximo).

Um detalhe que você precisa saber antes de empolgar: já lançou (25 de junho) em América do Norte, Austrália e Reino Unido, e a camada de AI Ad Tagging (a parte que diz qual anúncio performa melhor) fica reservada pros planos Business e Enterprise. A mágica de saber o que funciona tá no topo da tabela.

O padrão da semana é claro: Canva, Google, Meta, todo mundo correndo pra deixar criar anúncio quase de graça. O custo de produzir despencou. A diferença agora é o insumo: prompt bom, oferta boa, gancho bom. A ferramenta executa, o que você põe dentro é o que define o que sai.

Patrocinador oficial

O Tintim te leva pro Subido ao Vivo 2026

Subido ao Vivo 2026

Sim, o Tintim banca sua entrada.

Pela segunda vez, o Tintim é patrocinador oficial do Subido ao Vivo 2026, o maior evento de tráfego pago da América Latina, liderado pelo Pedro Sobral. Nos dias 21, 22 e 23 de agosto, no Vibra São Paulo, é onde os maiores nomes do mercado se encontram pra falar de estratégia, escala e o que de fato move a agulha na operação de quem vive de tráfego.

Não é sorteio. Não é "concorra". O Tintim realmente banca sua entrada. Você ativa sua operação com o Tintim e a gente paga seu ingresso. Direto, pra quem atende os critérios da campanha.

Como você entra: no Plano Mensal, a partir de 20 contas (R$ 99 por conta), o ingresso é seu; no Plano Trimestral, pra quem tem menos contas (12, 15, 20 clientes), dá pra entrar com 10 contas no trimestral.

Nosso time olha quantas contas você tem e monta o melhor caminho na hora. A decisão é na conversa.

E corre, porque tem prazo: a quantidade de ingressos é limitada. A campanha vale enquanto houver ingresso disponível. Quando acabar, acabou.

Pensa comigo: você evolui em dois lugares ao mesmo tempo. Com o Tintim, você passa a saber exatamente quais campanhas geram venda no WhatsApp, ganha controle sobre resultado e para de decidir no achismo. E no Subido ao Vivo, você mergulha em três dias de conteúdo prático, networking com gestores e agências, e as tendências do próximo ciclo.

Sua operação fica mais forte, seu conhecimento também. E a entrada é por nossa conta. Quero falar com o time.

Feedback

O que achou da edição de hoje? Manda pra gente.

Tintim