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#17116/07/202610 min de leitura

A Meta voltou atrás em 2 dias

Bom dia!

Começo com um desfecho: lembra da IA da Meta que usava foto de perfil sem avisar, que eu te mandei desligar na segunda? A Meta voltou atrás em 2 dias.

Bora pra edição!

Pensamento do dia

"Sem dados, você é apenas mais uma pessoa com uma opinião." W. Edwards Deming

Semana passada eu te falei pra desligar. Antes de você conseguir mexer, a pressão foi tanta que a própria Meta derrubou a função. Vem entender o que sobrou disso.

Muse Image

Se você leu a edição de segunda, lembra: a Meta tinha lançado, junto com o Muse Image, uma função que deixava qualquer pessoa marcar um perfil público e gerar imagem com o conteúdo dele. Pior: vinha ligada por padrão, sem avisar ninguém. Eu te dei o passo a passo pra desligar.

Pois é. Antes de muita gente conseguir mexer nas configurações, aconteceu o desfecho: a Meta removeu a função dois dias depois de lançar.

O que rolou nesse meio tempo:

➡️ A reação foi imediata e em massa: o potencial de uso indevido era muito maior que qualquer uso criativo legítimo.

➡️ Agências de talentos soaram o alarme sobre roubo de identidade e orientaram os clientes a desativar na hora.

➡️ A Meta admitiu, em nota, que a função "errou o alvo" e por isso tirou do ar.

O @mention pra gerar imagem com perfil dos outros não existe mais. O resto do Muse Image (gerar imagem com a Meta AI, editar, criar variação) continua de pé. Foi só a parte de puxar conteúdo alheio que caiu.

O que fica pra você, na prática: se você chegou a desativar a autorização de reutilização na conta do seu cliente semana passada, deixa desativada mesmo assim. Não custa nada e te protege se a Meta ressuscitar algo parecido lá na frente (spoiler: costuma ressuscitar).

E tem uma lição de bastidor que vale mais que a notícia em si: a Meta lançou primeiro e pensou nas consequências depois. Isso significa que a próxima função polêmica também vai vir ligada por padrão. Quem revisa as configurações de privacidade das contas que gerencia, de tempos em tempos, sai na frente da bagunça.

A boa notícia é que a pressão funcionou e a Meta ouviu rápido.

Parceria com uma varejista gigante liga o clique no anúncio à compra no caixa. E resolve a dor mais antiga de quem faz mídia: provar que funcionou.

Snapchat e Dick's Sporting Goods

Deixa eu começar pela dor, porque você conhece ela bem: o cliente vê o anúncio no celular, mas fecha a compra na loja física. Como é que você prova que a campanha gerou aquela venda? Na maioria das vezes, não prova. Fica no "confia".

O Snapchat acabou de fechar uma parceria com a Dick's Sporting Goods (uma das maiores redes de artigos esportivos dos EUA) que ataca exatamente isso. Usando a LiveRamp, dá pra cruzar quem viu o anúncio no Snapchat com quem comprou na loja da Dick's, sem expor dado pessoal de ninguém.

Como funciona por baixo:

➡️ A LiveRamp monta uma "sala limpa" de dados: o Snapchat vê o lado dele, a loja vê o lado dela, e o cruzamento acontece sem ninguém ver o dado cru do outro.

➡️ O anunciante passa a ver a resposta ao anúncio ao lado do resultado de venda da loja, online e presencial.

➡️ No piloto com a adidas, dois lançamentos de tênis renderam mais de US$ 12 de ROAS, acima do benchmark de social.

Nas palavras do próprio Snapchat, o que trava o mercado hoje é a lacuna de mensuração: o anunciante precisa de prova de que a mídia de topo de funil gera resultado de verdade. Essa integração fecha o loop entre a descoberta e a compra.

"Tá, Mari, mas isso é Snapchat com uma loja gringa, não me serve." Serve sim, e por dois motivos. Primeiro: é a direção pra onde todo mundo vai. Segundo: é o argumento que você usa com cliente que insiste que "anúncio não traz gente pra loja". Traz. O que faltava era medir.

A pergunta que separa quem vende mídia de quem vende resultado é uma só: você consegue mostrar a venda que o anúncio gerou? Quem responde isso com número na tela nunca mais discute preço.

Os video campaign groups chegaram no mundo todo. Um controle único de alcance e frequência em cima de várias campanhas de YouTube ao mesmo tempo.

YouTube Ads

O Google liberou globalmente a otimização de alcance e frequência para video campaign groups. Em português: agora dá pra definir uma meta única de frequência mandando em várias campanhas de YouTube de uma vez, sem perder o controle individual de orçamento e criativo de cada uma.

E veio com um número que vale anotar. Um estudo de mídia do próprio Google apontou que a frequência ótima é 2,7 impressões por semana, e que acertar isso leva a um aumento de 19% no ROI. Ou seja: mostrar o anúncio de menos deixa dinheiro na mesa, mostrar demais queima verba e irrita.

O que muda na prática:

➡️ Uma meta, várias campanhas: você para de contar frequência campanha por campanha na mão.

➡️ Alcance único de verdade: a mesma pessoa não é contada (nem impactada) várias vezes por campanhas diferentes suas.

➡️ Relatório unificado de alcance único e média de impressões por semana. E já já chega no Display & Video 360.

Pra quem gerencia cliente que roda vídeo no YouTube, essa é daquelas que resolve um problema chato e silencioso: a sobreposição de público entre campanhas, que inflava frequência e queimava verba sem ninguém perceber.

Mais alcance não é mostrar pra mais gente. É mostrar na medida certa pra quem importa. E agora o Google te deu o botão pra isso!

É o primeiro dado nativo de "como eu apareço na busca com IA".

AI Performance Insights

Essa é daquelas que passou batida no Brasil, mas aponta pro futuro. O Google começou a liberar, em beta pra contas selecionadas nos EUA, um relatório novo no Merchant Center chamado AI Performance Insights. Ele mostra, pela primeira vez de forma nativa, como os seus produtos aparecem quando alguém usa o AI Mode, os AI Overviews e o app do Gemini pra pesquisar.

Por que isso é grande? Porque até agora "aparecer na resposta da IA" era uma caixa-preta. Você não tinha número nenhum. Agora tem:

➡️ Share of voice: com que frequência sua marca aparece nas respostas da IA, comparado com marcas parecidas com a sua.

➡️ Fases da jornada: onde você aparece (descoberta, avaliação, compra) e onde some do caminho do comprador.

➡️ Termos e atributos: quais palavras e specs (tamanho, material, cor) as pessoas usam pra achar produto como o seu na conversa com a IA.

O relatório fica em Analytics > Produtos > AI Performance, por enquanto só pra algumas contas nos EUA, com expansão prevista pra Canadá, Austrália, Índia e Nova Zelândia nos próximos meses. Brasil ainda não tem data.

Repara na costura com o case aqui embaixo. O comprador está migrando pra perguntar pra IA antes de pesquisar no Google normal. Quem vende produto de cliente e-commerce precisa começar a pensar em visibilidade dentro dessas respostas, do mesmo jeito que pensou em SEO dez anos atrás.

A busca com IA deixou de ser tendência de palestra e virou linha de relatório. Quando chegar no Brasil, quem já entendeu a lógica sai na frente!

Case do dia

A Localiza colocou a operação DENTRO do ChatGPT (e em 4 meses virou movimento)

Vi um post no LinkedIn e achei que precisava chegar aqui. O que pega aqui é o lugar onde a vitrine foi parar.

Localiza integrada ao ChatGPT

A Localiza&Co fez o que quase nenhuma empresa brasileira fez: colocou a própria operação dentro do ChatGPT. Você inicia o aluguel de um carro sem sair da conversa com a IA. A vitrine não mudou de lugar. Mudou de plataforma.

Segundo a empresa, foi a primeira do Brasil a lançar um app integrado ao ChatGPT, anunciado em março de 2026. E não ficou sozinha: a Buser entrou em maio, a TIM lançou o app dela em julho. Em quatro meses, virou movimento.

Repara no verbo certo: você inicia o processo dentro do chat. A transação em si é concluída no ambiente seguro da Localiza. Ninguém joga pagamento e contrato pra dentro de uma janela de conversa, e tá certo assim.

O ponto estratégico não é a tecnologia. É o lugar:

➡️ Durante anos a régua foi levar o cliente até o seu canal: o site, o app, a loja. A Localiza inverteu e foi morar onde a decisão já acontece.

➡️ Cada vez mais gente pergunta pra IA antes de pesquisar no Google. Quem chega primeiro nessa conversa vira a opção padrão. Quem chega depois vira a segunda aba.

➡️ A Localiza tratou o ChatGPT como ponto de venda, não como suporte. Essa é a virada silenciosa que quase ninguém percebeu.

Isso muda a pergunta que todo dono de negócio devia estar fazendo. Não é "como faço um chatbot". É: quando alguém pede uma solução do meu setor pra IA, minha empresa aparece como caminho ou nem entra na conversa?

Se hoje um cliente pedisse pra IA resolver o problema que você resolve, a operação dele estaria a um clique de distância ou invisível? Vale salvar essa pergunta pra quando for mapear os canais de aquisição dos seus clientes.

Dica da Mari

Como eu crio roteiro com IA que gera receita de verdade (a parte que ninguém conta)

Uma vez me perguntaram como eu faço roteiro pela IA com gancho e meme atual. A resposta é curta e desagrada quem procura atalho: curadoria.

Roteiro com IA

Toda semana chega essa pergunta: "Mari, como você cria roteiro pela IA com gancho e meme atual?". As pessoas esperam que eu entregue um prompt mágico. Não é isso. A IA escreve, mas a parte criativa vem do meu lado!

Eu basicamente vivo salvando Reels que podem me servir um dia. Fico de olho nos memes do mercado, e a IA cuida de montar o roteiro seguindo a estrutura que eu já defini. Quem faz a curadoria sou eu. A IA só executa. Meu passo a passo real:

➡️ 1. Entro no Instagram e digito uma hashtag chave do nicho. Pro Tintim, seria "tráfego pago".

➡️ 2. Faço a curadoria dos Reels virais e copio o link de cada um que me interessa.

➡️ 3. Baixo o vídeo e gero o transcript por alguma IA (o Gemini segue sendo meu parceiro nessa parte).

➡️ 4. Copio todo o texto do Reels e jogo no Claude.

➡️ 5. Detalho tudo o que quero comunicar com esse vídeo. Aqui eu mando muito áudio pra explicar o que de fato quero passar.

➡️ 6. Com o detalhamento na mão, peço pra ele seguir a estrutura: mesmo gancho do Reels de referência, meu tema no miolo, e CTA que fecha com a dor do meu público.

E qual prompt eu uso no passo 6? Esse aqui. Cola ele no Claude depois do transcript e do seu detalhamento:

PROMPT PRA COPIAR
Você é roteirista de Reels pra [meu nicho]. Vou te dar dois insumos: o TRANSCRIPT de um Reels que viralizou (referência de estrutura) e o DETALHAMENTO do que eu preciso comunicar no meu vídeo.
Crie um roteiro NOVO que: 1. Copie a ESTRUTURA e o RITMO do Reels de referência (gancho nos 3 primeiros segundos, virada no meio, fechamento), sem copiar o conteúdo dele. 2. Troque o tema pelo meu DETALHAMENTO, mantendo o mesmo TIPO de gancho que fez o original prender. 3. Fale a língua do meu público: [quem assiste].
Formato da resposta: GANCHO (0-3s): a primeira fala, feita pra travar o scroll. DESENVOLVIMENTO: as falas do meio, em bullets curtos, do jeito que eu leria em voz alta. CTA: o fechamento, amarrado numa dor real do meu público. TÍTULO/LEGENDA sugerida. 3 variações só do gancho, pra eu testar qual prende mais.
Regras: linguagem falada, frases curtas, zero jargão de guru. Se algo no meu detalhamento estiver vago, me pergunte antes de escrever.
TRANSCRIPT DE REFERÊNCIA: [cola aqui] MEU DETALHAMENTO: [cola aqui]

O segredo tá no passo 2 e no passo 5, não no prompt. O gancho que funciona já foi validado por outra pessoa quando o Reels viralizou. Eu só empresto a estrutura e troco o recheio pelo que o meu público precisa ouvir.

A IA nunca vai ter esse repertório sozinha, porque ela não passa o dia rolando o feed do seu nicho. Você passa!

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Tintim