Voltar para todas as edições
#17220/07/202611 min de leitura

Botaram Claude e ChatGPT pra apostar na Copa

Bom dia!

A semana teve um paradoxo bom: quanto mais a IA gera conteúdo, mais o humano por trás dele vale. Até o chefe do Instagram falou isso. E no domingo de final de Copa, umas IAs foram testadas apostando nos jogos (quem será que saiu na frente?)...

Bora pra edição!

Pensamento do dia

"Leva vinte anos pra construir uma reputação e cinco minutos pra arruiná-la." Warren Buffett

Parece contramão, mas segue a lógica: se todo mundo consegue gerar imagem bonita com IA, o que passa a valer é justamente o que a máquina não entrega.

IA pode tornar criadores humanos mais valiosos, diz chefe do Instagram

Adam Mosseri, chefe do Instagram, defendeu uma tese que vai contra o medo do momento: a explosão de conteúdo sintético não enterra o criador humano, valoriza ele. A lógica é direta. Se qualquer pessoa gera uma imagem polida, um vídeo redondo ou uma legenda aceitável com IA em segundos, esses elementos deixam de ser raros. O que fica raro é o que a IA ainda não copia: repertório, presença, humor, história e ponto de vista.

Nas palavras dele, as pessoas vão buscar cada vez mais criatividade, autenticidade e outras pessoas. E tem um detalhe que muda a régua do feed: a estética perfeita perdeu força. Quando a cena impecável virou fácil de produzir, a perfeição parou de ser sinal de habilidade e passou a parecer genérica.

O que isso significa pra quem opera conta de cliente:

➡️ Criativo pessoal e imperfeito pode render mais que a peça bonita e genérica, porque carrega sinal humano.

➡️ Substituir a presença humana por avatar ou peça sintética pode enfraquecer a conexão com o público.

➡️ A IA acelera produção e gera variação, mas direção, intenção e voz precisam continuar humanas.

Por que isso importa pro seu dia a dia? Porque muda o que você entrega de valor. Botar IA pra cuspir 50 variações de criativo é commodity, todo mundo faz. O diferencial vira a combinação entre ferramenta, autoria e presença: usar a IA como apoio, deixar visível o repertório do cliente e construir relação com a audiência além da peça final.

A IA gera o post. Mas quem constrói confiança, contexto e identificação ainda é gente. Esse é o ativo que vale defender no criativo do seu cliente!

O Modo IA da Busca conectou apps de terceiros. O usuário monta lista de compras, cria design e playlist sem sair da busca.

Google Modo IA da Busca conecta apps Instacart Canva YouTube Music

O Google começou a liberar o que ele chama de Connected Apps dentro do Modo IA da Busca. Traduzindo: o usuário conecta serviços de terceiros direto na conta Google e conclui a tarefa ali, sem abrir outro app. Por enquanto são três: Instacart, Canva e YouTube Music.

Como isso aparece na prática:

➡️ Instacart: pede a lista de compras de um churrasco e o Modo IA joga os ingredientes direto no carrinho, pronto pra fechar.

➡️ Canva: pede um folheto de evento e ele devolve opções de template já dentro da conversa.

➡️ YouTube Music: pede uma playlist por gênero e clima e ela é montada e salva no app.

➡️ Só nos Estados Unidos e em inglês por enquanto, mas o recurso já existia no app do Gemini e agora migrou pra Busca.

O que isso significa? A busca deixa de mandar tráfego pro seu site e passa a resolver a tarefa dentro dela mesma. Se a sua estratégia de cliente depende de gente clicando num link de receita, template ou playlist pra depois converter, esse clique começa a sumir. Não é pânico pra amanhã, é sinal de pra onde o jogo tá indo: quem ranqueia pra "monte minha lista" ou "faça meu convite" vira apenas o app que executa, não o destino que o usuário visita.

Ainda é EUA e ainda são só três apps. Mas o Google já avisou que tem mais parceiros vindo. Vale começar a acompanhar como o Modo IA muda o tráfego orgânico dos seus clientes antes de mexer no planejamento de conteúdo deles.

Não importa se você roda X. Importa a direção: o Musk quer automação total de anúncio, e essa é a primeira peça encaixando no tabuleiro.

X integra Grok no Ads Manager

O X começou a testar em beta a integração do Grok dentro do Ads Manager. Na prática, alguns anunciantes já receberam a novidade: dá pra pedir orientação da IA sobre a estratégia do anúncio, e vieram também dicas embutidas pra guiar a criação e gerar criativos dentro do próprio fluxo.

Parece pequeno, mas repara na sequência. Em abril o X reconstruiu o Ad Manager inteiro em cima de IA, no que chamou de maior mudança do sistema de anúncios da história da empresa. O Grok é o próximo degrau. E o Musk já falou publicamente onde quer chegar: automação total do anúncio, incluindo checagem de segurança e casamento de conteúdo com público.

Por que isso importa pra quem vive de Meta e Google?

➡️ Toda plataforma grande tá indo pro mesmo lugar: a IA constrói a campanha e o gestor vira quem revisa e freia.

➡️ O X tem mais de 550 milhões de usuários de dado comparativo pra alimentar esse tipo de match automático.

➡️ É um assistente sempre ligado dentro do gerenciador, o mesmo caminho que Meta e Google já trilham.

Quanto mais a máquina monta o anúncio sozinha, mais o seu valor vira saber quando confiar nela e quando puxar o freio. Essa parte nenhuma IA assume por você.

No domingo de final, uma startup pôs sete modelos de IA pra apostar nos jogos com dinheiro virtual. O teste não é sobre futebol: é sobre como cada IA decide quando não existe resposta certa!

!ChatGPT, Claude e Gemini apostando na Copa do Mundo 2026/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/0/Z/nxNasdSrqtInkAOmGW0A/meow-meow-meow-meow-34-.png)

Enquanto a final rolava, uma startup chamada Obside transformou a Copa 2026 num laboratório. Uma hora antes de cada jogo, ela colocava os modelos em modo agente pra pesquisar dados públicos (lesão, histórico, forma recente) e decidir quanto de um saldo virtual de US$ 10.000 apostar, usando as cotações de mercado como referência. Entraram na mesa ChatGPT, Gemini, Claude, Grok, Mistral, DeepSeek e Kimi.

O placar antes da final Espanha x Argentina, segundo a Obside:

➡️ Mistral em 1º, o modelo europeu superando rivais com marca mais forte e muito mais investimento por trás.

➡️ GPT-5.5 em 2º e DeepSeek V4 em 3º fechando o pódio.

➡️ Claude Opus 4.8 na lanterna, o único no vermelho. A própria Obside brincou que ele talvez seja ético demais pra bom apostador.

O que faz esse teste interessar pra quem trabalha com dado o dia inteiro: benchmark tradicional mede o que a IA sabe. Esse aqui mede como ela decide sob incerteza, que é o cenário real de quem usa IA pra avaliar mercado, priorizar projeto ou prever risco. Quase nunca tem gabarito, tem informação parcial e uma escolha pra fazer.

Reforça o que a gente já vinha falando aqui sobre escolher modelo por tarefa. Um modelo pode ser ótimo pra escrever copy e ruim pra pesar dados incompletos, e vice-versa. Em vez de perguntar qual IA é mais inteligente, pergunta inteligente pra quê.

Quando não existe resposta pronta, a qualidade da IA aparece menos no que ela responde e mais em como ela decide. Vale o mesmo pra escolher qual modelo colocar em cada tarefa sua.

Caí nessa leitura essa semana e não consegui não pensar em cada cliente que quer botar IA em tudo pra ontem. O nome do problema é dívida de marca.

A Harvard Business Review publicou um artigo que dialoga direto com tudo que você acabou de ler aqui. O nome do conceito é dívida de marca: a confiança, a relevância e a consistência que a marca perde toda vez que um produto, uma experiência ou uma decisão se afasta do que o cliente espera.

A pesquisa cruzou 60 empresas e chegou num ponto incômodo: quanto mais a IA molda a interação com o cliente, mais fácil é acumular essa dívida sem perceber. Cada atalho automatizado que entrega algo genérico, fora do tom, ou que quebra a expectativa, vai somando. E a conta aparece lá na frente, em confiança que não volta.

Por que isso conecta com a sua semana? Olha o padrão que a curadoria mostrou: a Meta ligou um recurso de IA na marra e teve que apagar em dois dias. Foi exatamente uma parcela de dívida de marca sendo cobrada na hora. Empresa grande com pressa de IA errando na frente de todo mundo.

O recado pro gestor é o mesmo que a HBR dá pras marcas, só que no seu tamanho:

➡️ Criativo gerado por IA que sai fora do tom do cliente não economiza tempo, cria dívida.

➡️ Quem gerencia a dívida de propósito rende mais que o concorrente que só corre atrás de volume.

➡️ Velocidade com IA só vale quando ela respeita a expectativa de quem está do outro lado.

Vale o play. Principalmente se você é quem convence o cliente a apostar em IA toda semana! Ler o artigo

Laboratório do Tintim

Um estrategista de SEO dentro do Claude Cowork

Três prompts encadeados que abrem o Chrome, espionam seu Google Maps e o dos concorrentes, e devolvem um plano de ação que você aplica amanhã. Cola, troca os campos entre chaves e roda.

Cliente de negócio local vive a mesma dúvida: por que o concorrente aparece na frente no mapa e eu não? Em vez de chutar, dá pra colocar o Claude Cowork pra investigar sozinho. Roda um de cada vez, no Cowork com o Chrome ligado, trocando o que está {entre chaves} pelos seus dados.

PROMPT 1 · DIAGNÓSTICO LADO A LADO
Abra o Chrome, acesse minha loja no Google Maps {link do perfil} e meu site {www.suaempresa.com}. Capture: categoria principal e secundárias, volume e nota média das avaliações, atributos preenchidos, horário, fotos publicadas e palavras-chave que aparecem nas minhas avaliações. Depois faça o mesmo com {concorrente1} e {concorrente2}. Monte um diagnóstico lado a lado apontando exatamente onde eu perco para eles e onde já estou à frente.
PROMPT 2 · ENGENHARIA REVERSA DO PACOTE LOCAL
Olhando SOMENTE para os concorrentes que aparecem no topo do pacote local para {palavra-chave}, faça engenharia reversa dos 7 fatores que estão sustentando essa posição. Ordene do mais decisivo ao menos decisivo para ranqueamento no mapa. Para cada fator, aponte o concorrente específico que o comprova e o dado observável que serve de prova. Nada de boas práticas genéricas de SEO. Entregue apenas em tabela com as colunas: Fator, Prova observada no concorrente, Peso para esta palavra-chave.
PROMPT 3 · PROTOCOLO DE AVALIAÇÕES
Abra o Chrome e examine as avaliações recentes (últimos 90 dias) de {concorrente1} e {concorrente2}: com que frequência recebem avaliações, quais serviços e termos os clientes mencionam, como a empresa responde, e o tom dessas respostas. Cruze esses padrões com quem está melhor posicionado no Maps. A partir disso, monte um protocolo prático de geração e resposta de avaliações para o meu perfil: quando pedir avaliação, como pedir, quais palavras-chave estimular nos clientes e um modelo de resposta por tipo de avaliação. Sem conselho vago: entregue algo que eu aplique amanhã.

A ordem importa: o Prompt 1 te dá o mapa da situação, o 2 mostra o que sustenta quem está na frente, e o 3 transforma isso em rotina de avaliação.

Ver todas as edições

Tintim