Na segunda metade de setembro de 2026, eu abria o Instagram e o primeiro anúncio que aparecia era de candidato. Às vezes o segundo também.
Fui atrás do tamanho disso e o número me fez largar o café: até 14 de setembro de 2026, com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, as campanhas já tinham declarado mais de R$ 200 milhões em impulsionamento nas redes.
Esse dinheiro disputa o mesmo feed que o anúncio do seu cliente. 👀

Pensamento do dia
A maior parte do dinheiro foi pra Meta, e a reta final antes do primeiro turno de 4 de outubro de 2026 ainda nem aparecia nos números

O número vem do Observatório de Impulsionamento Eleitoral, do Núcleo, que organiza os dados de prestação de contas do TSE. Até 14 de setembro de 2026, cerca de 6.700 candidatos declararam R$ 215 milhões em impulsionamento de conteúdo nas redes. Isso dá perto de 7% de tudo que as campanhas declararam gastar até ali.
Pra onde foi o dinheiro: A Meta recebeu R$ 156 milhões, algo como 72% do total. A concentração faz sentido quando você lembra que o Google manteve em 2026 o veto que criou em 2024. Candidato, partido e federação ficam impedidos de pagar anúncio eleitoral no YouTube, na busca e na rede de display do Google.
O Poder360 estimou em até R$ 200 milhões a receita que o Google deixa na mesa com essa decisão, valor que a empresa preferiu deixar sem confirmação.
Quem mais aposta em anúncio: Um levantamento do Plural com dados do TSE de 20 de setembro de 2026 mostrou que, no Paraná, os candidatos ao Senado colocam 24% do caixa em impulsionamento de posts. Nas outras disputas do estado, a fatia fica entre 7% e 9%.
E esses números tendem a crescer. A prestação de contas é autodeclarada e, em 24 de setembro de 2026, seguia aberta, com muita campanha ainda sem lançar as despesas da reta final.
O que isso muda pra quem anuncia outra coisa? Na minha opinião, vale olhar com lupa. A reta final concentra investimento, e esse dinheiro disputa atenção no mesmo feed e no mesmo leilão que o anúncio do seu cliente. Procurei e fiquei sem achar dado público que meça o efeito no CPM em 2026, então a sugestão é medir na sua própria conta.
➡️ Datas pra anotar: primeiro turno em 4 de outubro de 2026 e possível segundo turno em 25 de outubro de 2026
➡️ O que acompanhar: CPM e custo por lead por estado, comparando com as semanas de agosto de 2026
➡️ Pra quem atende candidato: impulsionamento eleitoral só pode ser contratado por candidato, partido, coligação ou federação, com o anunciante identificado
Em ano de eleição o leilão também tem calendário, e em 2026 ele vai até 25 de outubro.
O beta de conversões multi-fonte usa o ID da transação para juntar o que a tag viu com o que o seu CRM sabe
Em setembro de 2026, o Google documentou uma novidade no beta de conversões multi-fonte: agora dá pra complementar a conversão capturada pela tag do site com dados vindos de uma fonte offline.
Como funciona: Você conecta uma fonte adicional pelo Data Manager ou pela API do Data Manager. O Google usa o ID da transação pra casar o registro offline com a conversão que a tag registrou. Se a tag pegou a conversão e perdeu o e-mail, o telefone ou o endereço, esse dado vem do upload e completa a conversão otimizada.
E o valor também pode ser corrigido? Pode. Mandou do CRM o valor final do pedido, um upsell ou um reembolso, e o valor enviado substitui o que a tag registrou naquela transação.
Quem vende pelo WhatsApp conhece bem essa história. A tag registra o lead, a venda acontece dias depois na conversa, e o valor real nunca volta pro Google. Esse recurso abre um caminho oficial pra devolver essa informação pro lance.
➡️ Período de teste: fonte nova passa 14 dias em avaliação, com as conversões extras aparecendo em relatório e ficando fora do lance
➡️ Prazo recomendado: o Google sugere mandar o dado complementar em até 24 horas
➡️ O que fica de fora: em transação casada, campos como o GCLID do upload são ignorados
A venda que fecha longe do site finalmente ganhou caminho de volta pro lance.
A Meta separou anúncio e permissão do Threads, e o app vai ganhando vida própria dentro do portfólio empresarial

Até essa mudança, pra anunciar no Threads você precisava ter o mesmo @ no Instagram. Em setembro de 2026, a Meta tirou essa exigência, e empresa sem perfil no Instagram pode anunciar direto pelo perfil nativo do Threads.
Permissões próprias: No mesmo pacote, os perfis do Threads ganharam acesso por tarefa dentro do portfólio empresarial, desvinculado do Instagram. Os perfis que já existem começam herdando as permissões da conta de Instagram associada, e daí pra frente você ajusta cada um separado.
Na prática, dá pra ter uma pessoa do time cuidando só do Threads, com acesso só ao Threads.
O contexto explica a pressa: o Threads já passa de 500 milhões de usuários mensais, e a Meta vem descolando o app do Instagram peça por peça.
➡️ Chegada aos poucos: os dois recursos estão sendo liberados por etapas, e ainda faltam regiões
➡️ Pra quem gerencia cliente: revisa quem tem acesso ao Threads no portfólio assim que a opção aparecer
➡️ Porta aberta: marca que nunca investiu em Instagram pode testar o Threads sem abrir outra frente
O Threads está saindo da casa dos pais, e o anunciante ganhou chave própria.
O GPT-6 Sol e o Luna chegaram pela metade do preço da geração anterior, logo depois do novo Claude Opus 5.5

Em 22 de setembro de 2026, a OpenAI ampliou a família GPT-6, que estreou com o Astra e a gente comentou na edição 186. Chegaram o GPT-6 Sol e o GPT-6 Luna. O Sol foi pensado pra código e tarefa complexa. O Luna foi feito pra volume: resumir documento, extrair informação, responder pergunta rápida.
O que muda no bolso: Na API, o Sol custa US$ 2 por milhão de tokens de entrada e US$ 10 de saída. O Luna sai por US$ 0,10 e US$ 0,50. É metade ou menos do que custava a geração 5.6, e segundo a OpenAI esse passa a ser o preço padrão.
Onde aparece: Sol e Luna estão no ChatGPT Work e no Codex pra quem assina Plus, Pro, Business, Enterprise e Edu. Quem usa o plano grátis ou o Go acessa o Luna no app de desktop.
O detalhe que virou assunto: a Anthropic soltou uma nova versão do Claude Opus 5.5 cerca de 90 minutos antes do anúncio da OpenAI. Resultado: no dia do lançamento, nenhum teste lado a lado entre os dois tinha saído.
➡️ Pra quem automatiza: o Luna mira a tarefa repetitiva de volume, tipo classificar lead ou resumir conversa
➡️ Números do fabricante: a OpenAI diz que o Sol comete metade dos erros factuais do antecessor, e análise independente da Artificial Analysis viu inteligência geral no patamar do GPT-5.6
➡️ Liberação: no ChatGPT, os modelos chegam aos poucos conforme a conta
Quando dois laboratórios lançam no mesmo dia, quem sai ganhando primeiro é a planilha de custo de quem automatiza.
O Google colocou número no aprendizado do Smart Bidding
A nova orientação fala em até 50 conversões ou três ciclos de conversão depois de cada mudança
Em setembro de 2026, o Google atualizou a documentação do período de aprendizado. Antes, a conversa girava em torno de tempo e ciclo de conversão. Com a atualização, a referência ganhou volume: a calibração pode levar até cerca de 50 conversões ou três ciclos de conversão depois de uma mudança.
O número funciona como teto aproximado. Conta com bom histórico de conversão tende a aprender mais rápido.
O que coloca a campanha em aprendizado: Criar ou reativar uma estratégia de lance, mudar a configuração dela ou mexer na composição da campanha. A orientação sobre troca de meta de conversão agora vale explicitamente pra Pesquisa, Shopping e Performance Max.
Por que eu testaria? Porque a pergunta certa passou a ser "quantas conversões o lance já viu?". Pra campanha de pouco volume, essa conta muda o jogo: com 10 conversões por semana, 50 conversões são cinco semanas.
➡️ Faz a conta: divide 50 pelo volume semanal de conversões de cada campanha e anota quantas semanas o aprendizado pode levar
➡️ Segura a mão: evita mexer em orçamento, lance e status nesse período, principalmente no Performance Max
➡️ Liga com a eleição: se o custo oscilar na reta final da campanha eleitoral, resiste à vontade de trocar a estratégia de lance no meio do caminho
Paciência com o lance agora tem número, e ele cabe numa calculadora.
O Social Ads Report 2026 da Metricool comparou 628 mil campanhas de Meta e TikTok

Separei essa leitura porque ela conversa direto com a primeira notícia desta edição. A Metricool analisou 628.969 campanhas de 44.355 anunciantes em Meta e TikTok, somando mais de US$ 471 milhões em investimento, e comparou o primeiro semestre de 2025 com o de 2026.
O dado que me pegou: o gasto médio por campanha na Meta subiu 47%, de US$ 489 pra US$ 718. No mesmo período, o ROAS das campanhas de Vendas caiu de 5,48 pra 4,57, e o custo por lead subiu 14%, pra US$ 6.
➡️ 91% dos anunciantes do estudo rodam mídia paga só na Meta
➡️ 70% da verba vai pro fundo de funil, mesmo com 67% das campanhas focadas em tráfego ou engajamento
➡️ No TikTok, o custo por lead caiu 33%, pra US$ 2,69, e o clique saiu a US$ 0,03 contra US$ 0,07 na Meta
Leia com calma: os números são médias globais em dólar, e o estudo agrupa os anunciantes por faixa de investimento mensal. Vale baixar e procurar a faixa parecida com a das suas contas. O download é gratuito, com cadastro de e-mail.
Na minha opinião, o recado é o mesmo das eleições: dinheiro a mais no leilão raramente vira retorno a mais sozinho. Quem sabe de onde vem cada venda consegue separar o que escalou do que só ficou mais caro.
Orçamento maior compra alcance, e só a medição mostra se ele virou lucro.
