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#19228/09/202613 min de leitura

Meta vs Amazon e a briga por quem fica com o seu cliente

Na Connect 2026, em 23 de setembro de 2026, o Zuckerberg contou no palco como o robô de compras da Meta vai dar dinheiro: uma taxinha em cada compra que ele fizer por você.

Se quem escolhe o produto vira robô, pra quem a gente vai fazer anúncio? 👀

Vale lembrar: a cobrança das mensagens de serviço da API do WhatsApp começa em 1º de outubro de 2026.

Logos da Meta e da Shopify

Pensamento do dia

"É um erro capital teorizar antes de ter dados." Sherlock Holmes, Um Escândalo na Boêmia

O varejo rachou diante do Muse, e a pergunta que sobra pro seu cliente é quem fica com o comprador

Logos da Meta e da Shopify

Lembra do Muse, o agente de IA da Meta que a gente apresentou na edição 187? Entre 8 e 23 de setembro de 2026, ele ganhou a função que mais mexe com quem anuncia pra e-commerce: comprar pelo usuário. E o varejo rachou no meio.

Quem abriu a porta: Em 22 de setembro de 2026, o CEO da Shopify, Tobi Lütke, anunciou que o Muse vai fechar pedidos com o Shop Pay em todas as lojas da plataforma. Em 23 de setembro de 2026, na Connect, a Meta somou à lista Walmart, Best Buy, Sephora, Ulta, Gap, Wayfair e mais quatro redes, com o PayPal no pagamento.

Quem trancou: A Amazon pediu pra sair da lista do Muse, segundo a Retail Dive, citando as regras dela contra ferramentas automáticas de compra. Faz sentido: o robô pula justamente a parte que paga as contas da Amazon, a vitrine cheia de produto patrocinado e o famoso "quem comprou também levou".

E a Meta nessa história? Segundo o Zuckerberg, o Muse segue gratuito pra boa parte do uso, e a receita vem de uma pequena taxa sobre cada compra que ele fechar. A empresa que vive de vender anúncio agora quer cobrar pedágio da venda também. 👀

Na minha opinião, a melhor pergunta sobre o assunto veio da coluna do Interney na InfoMoney: quem fica com o cliente quando é o robô que compra? O lojista ganha alcance e perde o contato direto com quem comprou. Em setembro de 2026, o Muse rodava só na América do Norte, sem data pro Brasil.

➡️ Pagamento protegido: a compra passa por Shop Pay, PayPal ou cartão virtual de uso único, e o lojista fica sem ver o número real do cartão

➡️ Porta aberta pra quem é menor: a Meta liberou a criação de conectores por terceiros e recebeu mais de 1.500 pedidos em menos de uma semana

➡️ Pra quem vende em Shopify: a loja já fica ao alcance do agente pelo catálogo da plataforma

O que tudo isso significa? Todo o nosso trabalho parte de uma premissa: uma pessoa vê o anúncio, clica e compra. Com um robô no meio, a compra começa numa conversa com a IA e termina num checkout onde ninguém viu o seu criativo. Pra quem atende e-commerce, três coisas ganham peso: catálogo completo e bem estruturado, que é o que o agente lê, medição que mostra de onde veio a venda, e o contato do cliente guardado na sua base. O robô pode trazer a primeira compra. A segunda vem de quem ficou com o telefone do cliente. Com o Muse restrito à América do Norte em setembro de 2026, dá tempo de arrumar a casa por aqui.

Quando o comprador for um agente, o catálogo vira o novo criativo.

Duas colunas novas na planilha prometem casar mais gente da sua base com usuários do Google

Tela do Customer Match no Google Ads

Em setembro de 2026, o Google atualizou o formato de upload do Customer Match, o recurso que transforma a lista de clientes em público de campanha. Agora dá pra incluir o endereço IP do usuário junto com o horário exato da interação.

Como fica o arquivo: O modelo passou a ter oito colunas. Além de e-mail, telefone, endereço e ID de dispositivo móvel, entram "User IP address" e "User Interaction timestamp", com o cabeçalho em inglês exatamente como está na documentação.

Qual é o pulo do gato? Mais identificador por pessoa tende a aumentar a taxa de correspondência. E lista que casa mais vira público maior e mais útil, seja pra remarketing, pra excluir quem já comprou ou como sinal de público no Performance Max.

Onde mora o cuidado? E-mail e telefone sobem com hash. O IP e o horário precisam subir sem criptografia. O próprio Google também mexeu no texto das páginas de ajuda, que agora falam em dados que o anunciante "coletou". Aqui no Brasil isso conversa direto com a LGPD, então a política de privacidade e o consentimento do seu cliente precisam cobrir esse uso.

➡️ Fora da Europa: o recurso fica indisponível pra usuários do Espaço Econômico Europeu, do Reino Unido e da Suíça

➡️ Quem sai na frente: operação que já registra IP e horário no formulário ou no CRM

➡️ Primeiro passo: confere se o seu fluxo de captura guarda esses dois dados antes de montar a próxima lista

Público bom sempre nasceu de dado bem guardado, e agora a planilha pede duas colunas a mais.

No Made On YouTube 2026, a plataforma também apresentou campanhas de afiliados patrocinadas pelas marcas

Amazon e YouTube Shopping

Em 23 de setembro de 2026, o YouTube fez o Made On YouTube, o evento anual de novidades pra criadores. O anúncio que mais conversa com a gente veio da área de compras.

A Amazon desembarca aqui: Criadores dos Estados Unidos já conseguem marcar produtos da Amazon nos vídeos pelo programa de afiliados do YouTube Shopping. Segundo o YouTube, a expansão pra Índia e Brasil foi prevista para as semanas seguintes ao evento.

O tamanho do programa: Mais de 1,3 milhão de criadores participam, e o volume de vendas cresceu 13 vezes em dois anos. O YouTube diz ainda que a tag de produto gera mais que o dobro de cliques de um link na descrição. A meta é chegar a 35 países até o fim de 2026.

E o que muda pra marca? Chegam as campanhas de afiliados, em que o varejista oferece comissão exclusiva ou bônus pro criador que produzir conteúdo sobre um produto específico. O Creator Partnerships, já em 20 países, também ganhou um código de acesso em um clique pra marca ver o desempenho do vídeo e colocar mídia paga por trás dele.

➡️ Pra quem atende e-commerce: vale mapear os criadores do nicho antes da Black Friday

➡️ Pra quem atende criador: o YouTube Studio vai aceitar até três thumbnails por vídeo e mostrar a mais relevante pra cada público

➡️ Olho no relatório: a comissão fica registrada no programa de afiliados, então combina com o cliente como essa venda entra na conta

Com a Black Friday de 27 de novembro de 2026 no horizonte, a vitrine do YouTube ganhou mais uma porta pro Brasil.

Relatório da Comscore mostra Gemini e Claude crescendo, com o resumo de IA do Google em 39% das buscas no desktop dos EUA

ChatGPT na tela do celular

Em setembro de 2026, a Comscore publicou o AI Intelligence Report do segundo trimestre de 2026, com dados de navegação nos Estados Unidos. Tem número pra todo mundo que trabalha com busca e mídia.

A disputa entre assistentes: Em junho de 2026, o ChatGPT respondia por metade do volume de perguntas feitas a assistentes de IA, e essa fatia era de 70% em janeiro de 2026. No mesmo período, o Gemini saiu de 17% pra 30%, e o Claude, de 2% pra 11%.

O resumo do Google: Em junho de 2026, 39,4% das buscas feitas no desktop nos EUA exibiram um AI Overview. Em julho de 2025 eram 25,8%. E o volume total de buscas seguiu subindo, com 77 bilhões no trimestre, 8% acima do mesmo período de 2024.

Quem a IA mais cita? Em buscas de varejo, o YouTube apareceu entre as fontes em 23% das respostas, à frente de Amazon (14%), Reddit (12%) e Wikipedia (11%).

Na minha opinião, o dado mais útil é esse último. Se a IA monta a resposta com vídeo e fórum, a marca que aparece nesses lugares ganha espaço dentro da resposta.

➡️ Alcance crescendo: em junho de 2026, assistentes de IA chegavam a 35% dos usuários de desktop e 29% dos de celular nos EUA

➡️ Fonte sem crédito: o Tripadvisor ajudou a montar 61% das respostas sobre hospedagem e ganhou link visível em só 21% delas

➡️ Recorte: os dados são dos EUA, então usa como tendência e confere no Search Console dos seus clientes

A atenção está se espalhando entre várias IAs, e a sua marca precisa estar onde elas procuram resposta.

O novo filtro de inclusão por hostname segura o tráfego de spam com bem menos manutenção

Google Analytics 4

Quem cuida de GA4 conhece a novela: aparece um domínio estranho mandando evento, você cria um filtro pra excluir, e na semana seguinte surge outro.

Em 21 de setembro de 2026, o Google Analytics liberou o filtro de inclusão por hostname. Até então o filtro de hostname só servia pra excluir. Agora dá pra fazer o caminho inverso: você lista os domínios em que confia, e o que vier de fora pode ser filtrado.

Dois detalhes antes de ligar: Eventos enviados pelo Measurement Protocol ficam de fora do filtro, então quem manda conversão pelo servidor segue recebendo normalmente. E evento com hostname vazio é bloqueado automaticamente, o que pega parte do tráfego enviado pelo gtag.js.

Por que eu testaria? Porque relatório sujo leva a decisão errada, e lista de permitidos dá bem menos trabalho de manter que lista de bloqueados. Pra cliente com vários sites, checkout em subdomínio ou landing page em outro domínio, a economia de tempo é grande.

➡️ Lista completa: inclui domínio principal, subdomínios, checkout e páginas de pagamento externas

➡️ Modo de teste primeiro: o GA4 deixa rodar o filtro em teste antes de ativar, então compara os números por alguns dias

➡️ Olho no hostname vazio: se algum evento legítimo chega sem hostname, corrige a implementação antes de ativar

Dado limpo começa com uma lista curta de quem pode entrar.

O LinkedIn divulgou dados de 50 mil negócios fechados, e a conta mexeu com a minha régua de atribuição

Estudo do LinkedIn sobre a jornada de compra B2B

Separei essa leitura porque ela me fez olhar diferente pra um número que eu vejo todo dia: a janela de atribuição.

Em setembro de 2026, o LinkedIn divulgou um estudo feito pela Factors.ai com mais de 50 mil negócios fechados de 850 empresas B2B. O primeiro achado já pesa: o comprador começa a pesquisar soluções cerca de 124 dias antes de conversar com alguém do comercial.

Agora pensa na janela padrão da Meta, de 7 dias após o clique. Se a jornada leva quatro meses, boa parte do que trouxe esse lead aconteceu muito antes de qualquer janela registrar.

➡️ Mais gente no radar: alcançar 6 ou mais contatos da empresa antes do negócio entrar no CRM aumentou a taxa de fechamento em 17 pontos percentuais

➡️ Diretoria demais: 76% da verba de LinkedIn Ads analisada mira cargos de diretor, e quem influencia a decisão fica de fora

➡️ Pago com orgânico: empresas que combinam anúncio e presença orgânica no LinkedIn tiveram taxa de fechamento 2,4 vezes maior

Na minha opinião, o recado vale pra qualquer venda consultiva, inclusive a que fecha no WhatsApp. Quando o ciclo é longo, julgar campanha pelo lead da semana é injusto com o topo de funil. Quem conecta a venda final ao primeiro contato consegue enxergar o que realmente puxou o negócio.

Ciclo longo pede paciência na campanha e memória na medição.

Tintim